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Como uma ilha no Canadá “surgiu” e “desapareceu” em algumas semanas

06 de September de 2026 0 leituras
Como uma ilha no Canadá “surgiu” e “desapareceu” em algumas semanas

Em meados de agosto, um velejador publicou no Facebook um vídeo com um anúncio inusitado: “Há uma nova ilha no Lago Williston”. No vídeo, em águas calmas, vê-se uma ilha média, com árvores altas e de folhagem farta.

Como uma ilha assim, madura, pode ter surgido do nada? Não é como se o local fosse muito desconhecido: o lago Williston, no Canadá, é bem mapeado. Criado em 1972, ele é o sétimo maior reservatório artificial de água doce do mundo – com 1.773 km², ele é um pouco maior que o lago da represa de Itaipu. Todas suas ilhas são conhecidas por velejadores e pescadores. Ou eram.

O lago é administrado por uma empresa chamada BC Hydro. No início, ao receber o vídeo, os administradores da empresa ficaram desconfiados. Afinal, em tempos IA generativa, não seria surpreendente se o vídeo fosse uma falsificação.

Os relatos de avistamento da ilha eram escassos, e ela passou batido durante os próximos dias de agosto. Parecia ter desaparecido, como uma miragem.

A história da ilha fantasma chamou atenção, entretanto. No fim do mês, os relatos de velejadores – inclusive novas fotos tiradas pelo primeiro velejador a anunciar a ilha –foram combinados com fotografias feitas a partir de aviões que sobrevoaram o lago e imagens de satélite. No dia 31 de agosto, a BC Hydro finalmente constatou que a ilha já constava no mapa desde 21 de julho.

Constatou-se, então, que a tal ilha fantasma está mais para uma jangada. Ela não se moveu por aí com perninhas nem motores: ela é uma ilha flutuante, que não fica fixada ao solo do fundo do lago.

A ilha tem cerca de 70 metros de largura e 140 metros de comprimento, o equivalente a dois campos de futebol. Ilhas flutuantes não costumam ser tão grandes, mas podem ocorrer em grandes reservatórios. Em geral, elas se formam a partir de troncos e detritos que se acumularam ao longo de muitos anos. Conforme esse material foi se decompondo, formou um solo frágil onde nova vegetação se enraizou, criando uma teia estável.

Segundo Bob Gammer, porta-voz da BC Hydro, é provável que o surgimento da ilha esteja relacionado ao nível da água do lago. Após um inverno de muita neve e um verão especialmente chuvoso, o lago atingiu o nível máximo, exigindo que as comportas de escoamento fossem abertas pela primeira vez em 14 anos. 

“Quando temos reservatórios cheios, esses níveis mais altos de água podem levantar materiais que possam ter ficado presos ao longo da margem, em uma baía protegida, permitindo que flutuem livremente”, disse Gammer em entrevista à CBC. “Não podemos identificar com precisão a origem dessa ilha flutuante, mas essa é uma explicação que parece razoável.”

No momento, a ilha não coloca a barragem em risco e está “encostada” em uma margem do rio. Mesmo assim, velejadores e pescadores foram instruídos a tomar cuidado com o obstáculo não sinalizado.

A BC Hydro disse que visitantes e drones são bem-vindos nas redondezas da ilha, mas não devem aportar na ilha propriamente dita, já que o solo formado por troncos e detritos em decomposição é instável.

Segundo Gammer, além dos curiosos, a ilha chamou a atenção de geólogos, ecologistas e outros pesquisadores interessados em como as ilhas flutuantes com vegetação se formam e se movem. 

“A descoberta da ilha respondeu a uma pergunta, mas levantou várias outras”, disse Gammer, em comunicado. “Embora estejamos satisfeitos por ter confirmado a localização da ilha, ainda há muito a aprender sobre como ela se formou e como acabou flutuando pelo reservatório. Continuaremos monitorando a ilha e aprendendo mais sobre suas origens e movimentos à medida que a história se desenrola.”

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de super.abril.com.br.

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